Arnaldo José Pardini

Arnaldo José Pardini tem 55 anos e trabalha no Colégio Bandeirantes como inspetor/bedel.

Você nasceu aqui em São Paulo? Em qual bairro?
Eu nasci em São Paulo, no bairro do Ipiranga.

Durante a sua infância qual era a sua brincadeira preferida?
Eu gostava muito de carrinho de rolimã, brincava disso noite e dia.

Você morou em outra cidade?
Sim, morei em Santo André desde minha infância até os dias de hoje.

Em qual colégio você estudou?
Eu estudei no colégio Visconti de Taunay em Santo André.

Como era seu estilo de vida nesta época?
Minha família era muito pobre.

Arnaldo, desde quando o senhor trabalha aqui no Colégio Bandeirantes?
Desde 2001, trabalho aqui há nove anos.

Como veio trabalhar aqui?
Por recomendação do responsável de recursos humanos da época, o Francisco, eu vim trabalhar aqui no Bandeirantes.

Você já trabalhou com o que antes de vir para o colégio?
Eu trabalhei como chefe de estoque em uma distribuidora de produtos importados e lá eu era muito pressionado, pois se tratava de uma empresa internacional, uma empresa americana.

Trabalhou lá por quanto tempo?
Antes de eu ir para lá, trabalhei em uma empresa multinacional por 17 anos. depois, dois anos na distribuidora de importando  e  depois, quando recebi a oferta para trabalhar no Bandeirantes, eu aceitei de imediato, pois o salário era o dobro do anterior.

Qual é sua qualidade de vida atualmente?
Minha vida melhorou muito, pois eu passei a receber o dobro do salário e aqui não sou pressionado como era no antigo emprego.

Você é casado? Tem filhas ou filhos?
Sim, eu sou casado e tenho três filhas das quais eu me orgulho muito.

Qual foi o momento mais emocionante na sua vida Arnaldo?
Tive vários momentos emocionantes, mas o mais emocionante foi o nascimento de minhas filhas.

E o momento mais triste?
O momento mais triste foi o falecimento de minha mãe.

E aqui no colégio qual foi o acontecimento mais importante?
Foi ver a formatura de um aluno do terceiro ano do Ensino Médio que sofria de problemas financeiros e não tinha dinheiro para pagar a mensalidade do colégio.

Você já foi homenageado aqui no colégio?
Sim, Luiz, já fui homenageado três vezes pelos alunos do terceiro colegial, sendo o funcionário eleito para comparecer na colação de grau dos alunos. Fui homenageado em 2006, 2007 e 2009.

Luiz Antonio Bonfiglioli Menezes – n.o 21 – 8.o D

Tento expressar o que muitos pensam…

Antes de você ler a entrevista que fizemos com Claudius Ceccon, devemos explicar o porquê de ele ter sido escolhido por nós.

Claudius é uma daquelas pessoas que nos conquistam no momento em que a conhecemos e que se tornam inesquecíveis, marcando nossas vidas de uma forma que nunca julgaríamos possível.

Temos que admitir que entrevistamos Claudius sabendo muito pouco sobre sua história. Agora, nós o admiramos muito mais por conhecê-lo melhor.

É com muito orgulho que publicamos, na íntegra, a entrevista com Claudius Ceccon, esse homem que é desenhista, arquiteto, diretor de uma ONG, pai, avô e tio, cuja vida foi cheia de altos e baixos, mas que não se arrepende de uma só de suas escolhas.

Como foi sua infância?
Nasci em Garibaldi, uma região montanhosa do Rio Grande do Sul, para onde foram muitos imigrantes italianos a partir de 1870, entre eles meus bisavós. Meu avô materno foi cônsul italiano na região e foi por sugestão dele que a cidade, que se chamava Conde D’Eu (nome do marido da Princesa Isabel), passou a se chamar Garibaldi, um personagem importante na história da unificação da Itália, que andou também participando de movimentos revolucionários no Brasil. Aos 4 anos de idade, viemos  todos morar no Rio de Janeiro, bem em frente à praia de Copacabana. Aqui cresci, estudei, me casei com Jô e tivemos dois filhos, Flávio e Cláudia. Meus dois irmãos mais velhos, Enzo e Rudy, casaram com lindas garotas paulistas e deixaram o Rio. Nessa história houve um breve intervalo, entre os 10 e 11 anos, em que morei novamente em Garibaldi, na casa de minha avó e de minha tia. Essa casa hoje é o Museu da Imigração Italiana.

Com quantos anos você começou a desenhar?
Desde que me entendo por gente, lá em casa todo mundo desenhava. Eu simplesmente continuei…

O que você estudou?
Estudei Arquitetura e Desenho Industrial no Rio de Janeiro. Também fiz aqui um curso de Cinema, no MAM (Museu de Arte Moderna). Mais tarde, já casado e com filhos, estudei Planejamento Urbano na Itália e na Holanda e trabalhei na profissão num escritório, com dois sócios.

Por que, durante o período da ditadura, você fazia questão de expressar sua opinião, mesmo sendo tão perigoso?
Eu considero o desenho uma arma contra a injustiça, contra a desigualdade e a corrupção, e meus desenhos sempre procuraram expressar essa minha posição e influenciar outras pessoas a fazer o mesmo.

Você foi obrigado a deixar o Brasil nesse período. Por que isso ocorreu?
O desenho humorístico que produzi durante a ditadura, após o golpe militar de 1964, foi considerado subversivo aos olhos do governo militar. Muitos de meus amigos foram perseguidos, (eu mesmo passei uma temporada preso, logo no princípio do regime militar). Durante dois anos estudei na Europa, voltei, para trabalhar em arquitetura e continuar a desenhar em jornais. Sou um dos fundadores do jornal O Pasquim, que tinha uma posição crítica, de gozação dos militares – o que era uma verdadeira loucura. Acabei aceitando um convite para trabalhar por dois anos numa organização internacional, em Genebra, Suíça. Só que na hora de voltar, a situação no Brasil havia piorado muito. Meus colegas do Pasquim estavam presos. Aí ficamos mais um ano, outro… e acabaram sendo quase 10 anos, até que em 1978 decidimos que era hora de voltar, mesmo com a ditadura ainda em vigor. Era um risco, mas a decisão foi acertada.

Como foi seu período na Europa? Como foi sua vida durante o período que você viveu na Europa?
Trabalhei em comunicação, na organização internacional.  Terminado meu mandato, fiz concurso e fui aprovado como Professor Assistente da Escola de Arquitetura da Universidade de Genebra. Ao mesmo tempo, com Paulo Freire [Educador e filósofo brasileiro que se destacou por seu trabalho na área da educação popular. É considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial.] e alguns amigos e eu fundamos um instituto e começamos a trabalhar com educação. Além disso, continuei trabalhando como desenhista, cartunista e ilustrador, fazendo freelancing. E, para completar, também fui correspondente da Veja e d’ O Pasquim.

Que influência teve Paulo Freire na sua carreira, e na sua vida?
Com Paulo Freire passei a atuar na área de educação popular, criando audiovisuais, escrevendo, ilustrando e produzindo documentos, livros e cartilhas nessa equipe.

Depois que você voltou para o Brasil, seu modo de ver a vida mudou?
Mudou porque me dediquei a uma área que, originalmente, não era “a minha praia”, como se diz aqui.

Quando e como a educação popular tornou-se tão importante para você?
Embora eu me interessasse pelo assunto, foi o fato de conhecer e conviver com Paulo Freire que me fez mergulhar cada vez mais nesse universo.

Você tem uma ONG, como ela funciona? Com o que vocês trabalham?
O Cecip (Centro de Criação de Imagem Popular) é uma ONG que produz materiais educativos audiovisuais (como vídeos e filmes) e impressos (como livros, cartilhas e publicações) sobre educação em saúde, direitos humanos, meio ambiente, educação de jovens e adolescentes, educação infantil. Também organiza seminários e cursos de atualização de professores, gestores e agentes de saúde.

<a href="http://youtube.com/watch?v=rKJCfS9OCDE">http://youtube.com/watch?v=rKJCfS9OCDE</a>

Nas suas charges, que mensagem você tenta passar para os leitores?
Eu tento expressar o que muitos pensam, traduzindo em imagens sentimentos que são, no fundo, desejos de justiça e de um Brasil melhor, mais justo, com oportunidades para todos e mais feliz.

Dos seus livros infantis, qual é o seu preferido?
De minha autoria, o livro Era uma vez, de fábulas. Também gosto dos 20 livros da Coleção Mico Maneco, em co-autoria com Ana Maria Machado. E gosto muito do livro escrito pela Ana, que eu ilustrei, chamado Menina bonita do laço de fita.

E qual a sua charge favorita, que você mais gostou de desenhar?
Houve uma fase de ressaca em Copacabana, e eu fiz uma justaposição entre a ameaça das ondas, por um lado, e a de outras ondas, que se erguiam por trás dos edifícios, e que eram as favelas crescendo. Foi um desenho que fiz no aeroporto, às pressas, com tinta de caneta diluída com água, num pires. Usei caneta, dedos, guardanapo e a ideia virou um dos desenhos de que mais gosto.

Você, neste momento da sua vida, se sente realizado?
Não, a gente sempre tem um projeto que exige nossa atenção e esforço, há sempre um ideal a perseguir. Eu tenho a impressão de que estou só começando, ainda quero fazer muito mais…

Agora, se você tivesse a oportunidade de voltar no tempo, fazer tudo de novo, mudaria alguma coisa? O quê?
Acho que não mudaria nada, pois, se uma única escolha mudasse, todas elas mudariam, e no final minha vida não seria o que é agora. Gosto do que faço, e isso foi uma escolha minha, renunciando a uma carreira que me desse, quem sabe, mais bens materiais. Mas, afinal, a vida é feita de escolhas e acho que, se tivesse feito outras, não estaria vivendo uma vida tão rica, tão interessante e tão cheia de gostosos desafios como a que eu vivo atualmente.

A vida de uma pessoa que queríamos conhecer – Irineu, o bedel do 4.o andar

Inspetor Irineu

Mesmo sem muitas condições, os pais de Irineu Luiz da Silva, 53, fizeram o máximo para dar-lhe uma boa educação. Irineu batalhou pela vida, seguiu a carreira de seu pai  e hoje, aposentado, ainda trabalha para se manter.

Onde você nasceu? Como foi sua infância?
Nasci em São Paulo. A minha infância não foi muito boa, os meus pais batalharam muito para me dar uma boa educação. Mesmo com os poucos recursos que tinham, me deram uma boa educação.

Sua família era grande? E agora?
Não, minha família era composta por meu pai, meu irmão, eu, e minha mãe. Agora a minha família é bem grande, tenho cinco filhos.

Quando criança, que profissão você queria ter?
Eu queria ser tenista, eu gostava de jogar tênis.

Qual era sua antiga profissão? Por que você a seguiu?
Minha antiga profissão era aeroviário, porque, na época, meu pai trabalhava nesse setor.

Você teve influências para seguir essa profissão?
Sim, como disse antes, a do meu pai.

Qual foi a maior dificuldade da sua vida?
Foi a de não ter recursos para os estudos.

De que modo surgiu a ideia de vir trabalhar no Colégio Bandeirantes?
Na época eu estava em uma situação difícil, surgiram dificuldades terríveis:  eu estava desempregado, e um colega que já trabalhava no Band viu minha situação e me convidou para trabalhar aqui.

Há quanto tempo você trabalha no Colégio Bandeirantes? Qual a importância do seu trabalho para você?
Há 12 anos. A importância é que vejo jovens como vocês crescendo intelectual e profissionalmente.

Como é a experiência de trabalhar com jovens o dia inteiro?
A experiência é muito boa, é bom ver o crescimento de vocês.  Muitos têm  afeto e  carinho  pelos funcionários e reconhecem a nossa dedicação.

Nesse tempo, você  criou amigos e inimigos? Conte-nos uma história interessante que tenha ocorrida aqui, como bedel.
Olha, se inimigos eu tenho, não os conheço. Um fato interessante ocorreu quando um aluno, depois de formado, veio nos agradecer por tê-lo ajudado nos anos em que ele esteve aqui no Colégio Bandeirantes e pela nossa compreensão.

Quais planos você tem para seu futuro?
Ver os meus netos e meus filhos realizados.

Com quantos anos pretende se aposentar, ou seja, parar de trabalhar mesmo? E pretende ter outro trabalho antes de se aposentar?
Pretendo me aposentar no ano que vem, se nada me impedir, com 54 anos. E não pretendo ter outro trabalho.

O que mais gostaria de dizer a seu respeito?
Ao meu respeito, não tenho nada a dizer.

Derek Miyazaki – 8G
William Baik – 8G

Arnaldo

Este questionário foi feito com o objetivo de entrevistar o inspetor Arnaldo, que trabalha em nossa escola. Como ninguém conhece bem nossos bedéis, sempre tivemos curiosidade de saber como vivem e como são fora do colégio.
Assim, achamos esta proposta de trabalho muito interessante, e logo pensamos em pedir ao bedel Arnaldo que respondesse a estas perguntas, por ele ser sempre simpático e educado, agradando a todos os alunos.

Qual o seu nome completo?
Arnaldo José Pardini.

Quantos anos o senhor tem?
55 anos.

Onde o senhor nasceu?
Em São Paulo, no bairro do Ipiranga

Quantos filhos o senhor tem?
Três filhas: Fernanda, 30, Renata, 26, e Paula, 21.

Há quantos anos o senhor trabalha no Band?
Há 10 anos.

Durante todos esses anos como bedel, já aconteceu algo de ruim?
Sim. Já me xingaram.

Nós conhecemos o senhor como bedel, mas qual o verdadeiro nome da sua profissão?
Inspetor.

Qual a função de um bedel?
Fiscalizar o comportamento dos alunos.

De todos os uniformes que o senhor já usou, qual se sentiu mais confortável?

Esse que estamos usando agora, porém como o casaco é rosa e com botões, fica feminino.

O senhor tem algum parente que estuda ou estudou no Band?
Não.

Além de ser bedel, o senhor trabalha com alguma outra coisa?
Não, eu me dedico inteiramente à função de bedel.

Como o senhor lida com alunos desobedientes?
Eu levo os alunos à orientação.

O senhor teria alguma sugestão para que o seu ambiente de trabalho ficasse ainda melhor?
É sempre uma grande responsabilidade manter o comportamento no corredor do 1o. andar, pois há muita gente que frequenta a Orientação Educacional e a Coordenação de História, por isso tenho que estar atento à postura dos alunos.

Beatriz Nascimento – n.o 03 – 8F
Marjorie Wong – n.o 20 – 8F

José Won e Inês Kim

José Won, que vivia na Coreia do Norte, e Inês Kim, que vivia na Coreia do Sul, queriam ter um amor, e Inês foi morar com José. Após alguns anos morando no norte, começou uma guerra na qual mataram as pessoas ricas; como o pai de José era rico, mataram-no. Com isso, José e Inês resolveram ir para Coreia do Sul para morar com a família dela…

Queremos agradecer por estar aqui, Patricia, e poder contar a história de Inês e José, de seus sogros. E obrigada por nos conceder um pouco de seu tempo. Como foi a viagem deles do norte para o sul?
Bom, eu também queria lhes agradecer por me dar essa oportunidade de contar essa história. Para começar, quando iniciou a guerra, ninguém podia sair, mas Inês e José não queriam permanecer mais lá; então, combinaram com um homem que tinha uma balsa de atravessar todos seus pertences, mas ele, ao invés de fazer o combinado, fugiu com as coisas, deixando José e Inês apenas com uma trouxinha de roupa. O tempo estava passando e eles não podiam esperar, então resolveram atravessar um riozinho nadando. Como era lua cheia, e estava claro, alguns soldados os viram e começaram a atirar, mas felizmente não acertaram.

Mas eles conseguiram chegar sem ferimentos, certo?
Sem ferimentos, mas ao chegar ao sul, os soldados de lá acharam que José era um espião do norte e começaram a torturá-lo para confessar. Por sorte, Inês encontrou um de seus primos que servia o exército e lhe contou a história toda. O mesmo explicou tudo para os outros soldados e assim liberaram José.

Nossa, eles passaram por muitas dificuldades! Mas depois disso, eles viveram felizes?
Não, a aventura não estava nem na metade. Moraram 14 anos com a mãe de Inês e, como a Coreia estava em estado precário, não tinham alimento suficiente para sobreviver e Inês estava grávida. Quando sua filha nasceu, era muito fraca e desnutrida, mas sobreviveu. Certo dia, quando José e Inês estavam indo para o Paraguai, Inês viu sua mãe sendo morta por uma bala.

Meus pêsames. O que fizeram quando chegaram ao Paraguai? E mesmo depois de tudo isso, conseguiram superar?
Obrigada, mas quando chegaram ao Paraguai, não tinham muito dinheiro, e com isso resolveram vender maçãs na porta da igreja. Com esse dinheiro que foram juntando conseguiram criar seus 4 filhos (todos nascidos na Coreia) e abriram uma loja de relógios, que foi crescendo. E após 7 anos foram para o Brasil com boas condições de vida.

Que grande história de superação! Mais uma vez, muito obrigada por nos conceder esse tempo e nos contar essa emocionante história. E para o conhecimento dos leitores, nós não entrevistamos José, pois ele faleceu, e não entrevistamos Inês, pois ela só fala coreano.
Obrigada, o prazer foi todo meu, e qualquer dúvida, podem me perguntar.

Caroline – 8.o E
Giovanna – 8.o E

Paulo Godoi – a vida dentro da quadra

Um grupo de alunos do colégio Bandeirantes do 8.o ano A entrevistou o professor de basquete do colégio Bandeirantes, Paulo Alexandre de Godoi, paranaense nascido em Londrina, no dia 17 de fevereiro de 1975, no mesmo dia em que Michael Jordan nasceu.

Qual foi o seu primeiro time de basquete?
O meu primeiro time de basquete foi o Banespa.

Com quantos anos começou a treinar?
Comecei a treinar basquete com dez anos.  Eu era sócio do Esporte Clube Banespa, e o time de vôlei de lá era bem forte, super famoso na época, pois tinha sido campeão mundial interclubes.

Quais características você acha que um jogador de basquete deve ter?
Primeiro tem que se ter, que como em tudo na vida, vontade, vontade de estar jogando. Também é preciso procurar sempre fazer uma coisa bem feita. Acho que essa é a principal característica – ter vontade de aprender.

Qual foi o jogo inesquecível de sua carreira como técnico e jogador?
Como jogador,  foi, sem dúvida o meu primeiro jogo como atleta. Eu era novo, estava muito nervoso. Acho que, para mim, foi o jogo inesquecível e também o mais importante. Como técnico, o jogo que nunca vou esquecer, por incrível que pareça, foi o jogo que começou a mudar tudo aqui no Bandeirantes. Aqui na escola, nós tínhamos equipes muito fracas no basquetebol; quando eu entrei aqui, nós tínhamos alguns adversários, como o colégio Dante Alighieri, que  venciam tudo nos campeonatos de que participavam e nós tínhamos uma equipe pré-mirim masculina e tivemos uma boa vitória. Acho que fazia vinte anos que o Bandeirantes não ganhava um torneio e acabou vencendo o Dante Alighieri e, como aquele jogo e aquela equipe, tudo mudou no basquete do Bandeirantes. Aquele foi o pontapé inicial.

A altura de uma pessoa influencia no basquete?
Ela ajuda, mas não é fator principal. Acho que você pode substituir a falta de altura com vontade, com treino, com dedicação, mas a altura ajuda sim.

Quantas vezes você já foi campeão como técnico e como atleta?
Como jogador, eu fui campeão umas quatro vezes e, jogando pela Liga Paulista no Banespa, foi umas duas vezes. Como técnico, eu vou ser sincero, não lembro, foram inúmeras vezes.

Por que você escolheu o basquete e não outro esporte?
Eu tinha opção, no Banespa, de jogar vôlei, basquete ou handball. Na verdade, eu não tinha ninguém na minha família que jogava basquete ou handball. Então, assisti a um jogo de basquete antes de entrar e achei legal, super interessante, um jogo diferente e, onde eu estudava, na aula de Educação Física, havia mais jogo de futebol e acho que isso acabou despertando mais a minha atenção para o basquete.  A forma como os jogadores corriam na quadra, o fato de ser um jogo diferente de um jogo do que sempre eu estava habituado a jogar chamaram a minha atenção e assim acabei optando pelo basquete.

Quando você era jogador, já pensava em seguir a carreira de técnico?
Não, quando eu era jogador, não, mas eu acho que algumas coisas naquela época sinalizaram para eu ser técnico. Eu tive técnicos, quando eu fui atleta, que não pensavam em um atleta como ser humano, que ele poderia ser uma pessoa. Eu tive uns técnicos que faziam com que não se gostasse do basquete porque não tratavam os atletas como pessoa e acho que foi daí que veio a minha vontade de ser técnico, para mudar isso, para mostrar que o basquete não é uma coisa ruim, muito pelo contrário. A minha vida se moveu por causa do basquete e vim trabalhar no Bandeirantes por causa do basquete. A maioria dos meus amigos eu fiz por causa do basquete. Eu achei que poderia mudar aquela visão e que conseguiria mostrar que o atleta é ser humano.

Em sua opinião, qual o time de basquete mais completo dos Estados Unidos?
Eu gosto muito do Lakers, apesar de achar que quem tem as peças mais completas é o Boston Celtics. Mas eu torço pelo Lakers. Acho que tem o Kobe Bryant como o melhor jogador do momento, mas, em termos de peças, o Boston é, sem dúvida nenhuma, o melhor.

Para que time de basquete dos Estados Unidos você torce?
Eu gosto de ver o bom basquete. Quando o Michael Jordan jogava, torcia para o Chicago Bulls e agora eu gosto do Kobe, por isso torço para o Lakers.

O que você acha da seleção brasileira de basquete?
Eu acho que estava demorando para os jogadores brasileiros querer voltar a jogar pela seleção. O técnico argentino reuniu a equipe.

Qual foi a sensação de treinar uma equipe invicta?
Foi bacana. Eu me sinto contente por trabalhar com todas as equipes com as quais já tive oportunidade de atuar.  Acho que, como  técnico, não quero formar excepcionais atletas, acho que o principal foco é formar boas pessoas, que lutem na vida e acho que, tendo isso como meta, os meninos vão acabar entendendo o projeto e irão começar a treinar para valer.

O que você acha do projeto VIDAS? (VIDAS é uma ONG presidida pela professora de inglês Patrícia Goloni Lolo. A ONG trabalha com pessoas com deficiências físicas e é apoiada pelo Colégio Bandeirantes)
Eu acho o projeto super bacana. São Paulo não tem um projeto igual ao de VIDAS. Os outro projetos são muito seletivos, aqui você tem a oportunidade de aprender e fazer várias coisas e a tendência agora é de o projeto crescer.

Bruno Cesar  – n.0 8 – 8A
Vitor S. K. – n.o 34 – 8A

Conheça Ana Cíntia, uma das professora mais incríveis que já tive

Uma professora meiga, simpática e atenciosa com seus alunos e colegas de trabalho. Ana Cíntia, 40 anos, professora de História, nos conta um pouco sobre sua vida pessoal e profissional.

Olá professora, é um prazer estar aqui com você. Como você já sabe, vou fazer uma entrevista com você para o blog de Português, representando minha turma (8º ano C). Vou fazer uma série de perguntas para você responder sobre sua vida pessoal e profissional. Vamos começar. Há quanto tempo você trabalha no Colégio Bandeirantes?
Trabalho aqui há 12 anos.

Como você fez para entrar no Band? Foi difícil?
Para entrar no Band foi fácil: encaminhei o currículo, fiz uma entrevista e entrei como professora.

Em sua opinião, o Bandeirantes evoluiu desde que você começou a lecionar?
O Bandeirantes melhorou muito. A escola ficar mais próxima do aluno é a principal mudança.

Como é, para você, fazer os planejamentos das aulas?
Não é complicado, pois nós, professores, sempre procuramos fazê-lo em dezembro de um ano para o ano seguinte.

Como você se sente explicando a mesma coisa todos os dias, para várias turmas ao longo desses anos?
As turmas sempre são diferentes e, mesmo que o conteúdo seja o mesmo, a recepção dos alunos é sempre diferente e isso muda a dinâmica da aula.

E em relação às provas? Como você faz para formular tantas perguntas?
Sempre procuro fazer ao longo do ano e não deixar para a última hora.

E na correção? Você tem algum tipo de organização?
Eu corrijo todas as provas por questão, para não mudar o critério.

Como você se sente quando um aluno seu fracassa na sua prova ou quando vai para o Conselho por causa da sua matéria?
Eu não me sinto responsável por isso, porque o aluno teve várias oportunidades de recuperar a nota ao longo do ano.

Algum aluno já tirou uma nota zero em sua matéria?
Nunca.

Você já quis ter outra profissão ou sempre quis ser professora de História?
Sempre quis ser professora de História.

O que você faz em seu tempo livre?
Vou ao cinema, leio, assisto à televisão…

Você tem tempo para sua família?
Sim, tenho os fins de semana.

O que você fazia antes de ser professora?
Eu era estagiária do Departamento de Patrimônio Histórico da Prefeitura de São Paulo.

O que você mais gostaria de nos contar sobre você?
O que me ajudou a evoluir foi entender a vida, como ela funciona, a curiosidade de achar respostas para nossas perguntas. Isso foi o que mais me guiou a crescer.

Fernanda da Rocha – n.o 16 – 8º ano C

Uma sobrevivente entre milhões de mortos

Hanako So em sua casa

Muitas pessoas que estiveram presentes na Segunda Guerra Mundial no Japão morreram, mas houve muitos sobreviventes e uma dessas pessoas vai contar em detalhes como foi a guerra no Japão para nós, entrevistadores e vocês, leitores. É aí que entra a nossa entrevistada, a senhora Hanako So, de 79 anos, uma sobrevivente da Segunda Guerra Mundial e que até hoje se lembra do seu dia-dia na guerra.

Primeiro, nós queríamos agradecer a disponibilidade da senhora para podermos entrevistá-la.
Não há de que.

Bom, para começar, queríamos saber em que região do Japão a senhora morava?
Eu morava em Kyushu, numa cidade do interior chamada Fukuoka.

A senhora esteve presente no país durante a guerra?
Sim, a guerra começou quando eu tinha 10 anos, e acabou somente quando eu tinha 14 anos.

Como era seu dia-dia durante a guerra?
Eu me escondia dentro de uma montanha, eu me minha família tínhamos feito uma caverna para as bombas não nos alcançarem.

Havia alguma coisa que tinha de ser feita para despistar o inimigo?
Eu só podia estudar durante a noite, pois de dia tinha que cuidar dos meus irmãos, e não podia acender a luz. Então eu descia a luz, que era uma lamparina, do quarto e cobria-a com um cobertor porque os aviões americanos faziam uma vistoria de noite pela cidade e, se viam uma luz acesa, eles jogavam bomba. Isso aconteceu com meus vizinhos.

Houve algum ataque no qual a senhora foi avisada com antecedência?
Sim, tiveram alguns. Sabíamos, pois Kyushu era uma cidade do interior pequena e a vizinhança inteira comentava. Muitos amigos e familiares meus morreram na guerra, incluindo minha professora.

Com quem a senhora entrava nas cavernas?
De noite entrava com a minha família e de dia entrava junto com minhas amigas no caminho para a escola.

A senhora gostava da sua professora?
Eu gostava muito dela, ela tinha se casado com um soldado e foi morar em Nagasaki e a bomba acabou atingindo ela. Foi muito triste.

Como era o seu dia-dia na escola?
Eu e meus colegas estudávamos no primeiro período e depois costurávamos meias para os soldados e descíamos montanhas com lenha nas costas para os soldados fazerem o fogo no resto do dia.

Como a senhora e outras pessoas garantiam a sobrevivência?
Todo mundo ajudava uns aos outros. Dividíamos comida com os familiares e amigos e eu costurava roupas para meus irmãos mais novos.

Naquela época, tinha pouca comida?
Tinha pouca. E todo mundo dividia, mas não as pessoas emagreciam e até morriam. E por incrível que pareça ninguém roubava.

A senhora tinha algum parente conhecido presente no exército?
Sim, tinha tios, primos… E por sorte eles voltaram vivos. Ao contrário da minha amiga que morreu. Foi muito triste, num dia estávamos estudando juntas e no outro estava morta.

Após o fim da guerra, como a senhora continuou sua vida?
Eu e minha família perdemos todos os nossos bens, tanto como amigos e professores e boa parte da casa. E nós não tínhamos comida, não tínhamos nada! E vários soldados voltaram, agravando mais a fome.

A senhora tinha algum tipo de plantação em sua casa?
Sim, minha mãe sempre plantava comida, era pouca, mas o suficiente para minha família e para dar para as outras pessoas, enquanto meu pai trabalhava no governo.

A senhora dava comida para outras pessoas? Não vendia ou trocava?
Eu e minha família simplesmente dávamos. Lembro que tinha crianças que morriam porque comiam terra pensando que eram bolinhos de arroz. Isso era horrível.

Após a entrevista, Hanako So afirma que depois de lembrar-se de tudo que passou durante a guerra, chora. Perder familiares e amigos não são uma coisa fácil de superar, ainda tendo 12 anos de idade. Cuidar dos 15 irmãos para garantir a sobrevivência mostrou um lado diferente da vida para Hanako, mas após todo esse sofrimento, em vez de chorar, ela sorri e apenas segue em frente e aproveita toda a oportunidade que a vida lhe oferece. E uma delas foi vir para o Brasil.

Agora Hanako está escrevendo um livro sobre sua vida, desde seu primeiro dia na escola até sua chegada ao Brasil e ela pretende publicá-lo.

Autoras:
Bruna Shimura nº06
Natalie Sampaio nº24
Zhao Kaiqiong nº33
8ºF

Trajetórias de determinação

Airton Deodato da Silva e Vivien Schmeling Piccin viveram trajetórias semelhantes. Ambos vieram de famílias simples, com dificuldades financeiras e desejavam cursar a área da saúde.
Airton saiu aos 15 anos de sua cidade natal, Maringá no Paraná, para tentar entrar na faculdade, passou em primeiro lugar na Faculdade Federal do Rio Grande do Sul, enfrentou muitas dificuldades durante a faculdade e depois de formado, mas conseguiu superá-las. Hoje em dia, acabou de construir uma clínica muito bem preparada e equipada.
Com uma trajetória tão difícil quanto a de Airton, Vivien, saiu de casa com 16 anos. Quando pequena, enfrentava problemas familiares muito grandes, sofreu agressão em sua infância pela sua mãe, e, quando adulta pelo seu primeiro marido. Teve sua primeira filha, Priscila, 1 ano depois de sair de casa. Porém, sua vida não foi só de tristezas. Uma semana depois que seu 1º marido a abandonou, teve a sorte de encontrar uma pessoa que a apoiou em seus estudos. Namoraram por seis anos e meio e quando se casaram, seu marido adotou sua filha mais velha. Hoje, ainda casados, tiveram mais uma filha. Atualmente, Vivien, 42, acaba de se tornar Prof.a Dra em ciências.

Andressa e Beatriz: Bom, primeiramente, gostaríamos de agradecer a presença de vocês e agradecer também esta oportunidade de poder escrever a trajetória de suas vidas. Então, vamos começar com você Vivien: como foi a sua relação com a sua família?
Vivien:
Meu pai se separou da minha mãe quando eu tinha seis anos de idade. Depois da separação, passamos a ter uma vida financeira muito difícil.

Antes era melhor?
Vivien:
Sim, antes tínhamos uma condição financeira muito boa, muito confortável. Depois que meus pais se separaram, ele foi extremamente ausente em relação às suas obrigações com família. Minha mãe não tinha uma profissão fixa, e tinha pouca escolaridade (não havia completado o colegial). Ficou sem dinheiro, sem profissão e tendo que cuidar dos três filhos. Ela sempre trabalhou em sub-empregos. O salário era muito apertado, com isso ela acabou se tornando uma pessoa muito irritada. Não era muito amorosa com os filhos, ela nos batia com frequência.

Vivien, você teve uma filha muito nova. Como foi essa batalha?
Vivien
: Eu comecei a trabalhar com treze anos de idade. O meu salário inteiro eu dava na mão da minha mãe. Um dia minha mãe falou que era para eu sair de casa e só voltar quando eu arrumasse emprego pois havia perdido o anterior. E então eu fui ao shopping pra tentar ver emprego em uma loja. Numa loja, tinha homem que fazia decoração da vitrine. Ele veio conversar comigo, falou que estava indo em um outro shopping, que se eu quisesse ele me dava uma carona. Eu aceitei, eu não tinha dinheiro nenhum, nem pra comer. Ele me convidou para almoçar, e eu contei para ele que eu desenhava, e ele falou que ele estava precisando de alguém para desenhar os seus projetos, ele tinha 31 e eu 16 anos. Minha mãe me deixou trabalhar com ele. Quando eu fui perceber a gente já tava tendo um relacionamento… então a minha mãe me botou para fora de casa. E com 17 anos eu fiquei grávida da minha filha mais velha, a Priscila. Meu primeiro marido me agredia psicologicamente, e depois, quando ele percebeu que eu não aceitava mais suas imposições, ele começou a me bater. Foi quando eu resolvi mudar o rumo da minha vida. Ele me abandonou indo embora para o Mato Grosso, e formou uma nova família e eu tive a sorte de na semana seguinte encontrar uma pessoa maravilhosa com quem, sete anos depois, me casei e até hoje estou casada.

Quando sua mãe te expulsou de casa, onde você passou a morar?
Vivien:
Primeiramente, eu morei com a minha tia e minha avó, mas também não me entendia muito bem com elas. Em seguida passei a morar com o meu primeiro marido, morávamos em um cortiço.

Seu primeiro marido nunca mais veio procurar a filha?
Vivien:
Não, ele veio uma vez procurar, mas quando eu falei para ele que ele tinha que colocar a pensão em ordem com correção monetária ele não apareceu mais. Então assim que eu me casei, ela foi adotada pelo meu atual marido.

Como era a sua relação com a escola? Você tinha estímulos para estudar na infância?
Airton:
Eu tinha uma relação com a escola muito boa porque estudar passava a ser uma das únicas atividades interessantes e pelas quais as pessoas que não sofriam tantas dificuldades, se interessavam em uma cidade pequena. Eu sofria, mas eu era o único que tinha cabeça na minha casa, portanto, com noção desta situação sempre me dediquei aos estudos.  Meus irmãos não tinham essa relação. Minha irmã parou de estudar no quinto ano do primário e ficou grávida com 20 anos. Meu irmão, Adilson, parou de estudar no quarto ano do primário e desde então ele trabalha. Confesso que eu não tinha muitos estímulos para estudar. Uma vez meu professor de geografia no segundo ano do ginásio me perguntou se eu gostaria de melhorar de condição de vida e viajar, ter carros e uma piscina, eu respondi que sim. Então ele me falou: “Você é o aluno mais inteligente que eu tenho na sala, e uma das mentes mais brilhantes que eu já conheci, mas é um dos mais preguiçosos que eu já vi na minha vida”. Eu fiquei pensando nisso e desde então eu comecei a estudar mais e eu sempre tento estudar mais até hoje. E eu só estou aqui hoje graças a esse meu professor de geografia, Amilton.

E você Vivien, como era esta relação?
Vivien:
Eu nunca tirei da minha cabeça o meu sonho de estudar porque eu sempre acreditei que o estudo é a base de tudo na vida de uma pessoa. Eu me voltei completamente para os estudos. E eu lia muito, muito, muito mesmo. Com sete, oito anos de idade eu já tinha lido a coleção completa do Malbathan e a coleção completa do Monteiro Lobato. Eu entrava nos livros como se os livros fossem minha vida real, e a minha vida mesmo era alguma coisa fora de mim. E por isso eu fui sempre muito distraída, quando eu era pequena, porque eu lia aí eu andava na rua, pensando na história do livro, imaginando que eu estava lá naquele lugar, e com isso eu caía em buraco, batia a cabeça em poste, tive vários acidentes por causa disso. Inclusive tive um acidente muito grave com 11 anos de idade, eu capotei de bicicleta. Minha mãe nunca olhou um caderno meu. E ainda brigava por que achava que não tinha que pagar a associação de pais e mestres coisa nenhuma, e eu morria de vergonha de ter que levar o atestado de pobreza para a escola, para não ter que pagar a associação.

O estudo sempre foi uma forma de você esquecer o mundo real?
Vivien:
Eu entrava de cabeça no estudo, e eu acho que minhas duas filhas vivenciaram essas fases. Sempre me viram estudando, a gente ia viajar e eu tinha que estudar para faculdade, eu tinha prova, eu levava meus livros e ficava estudando durante a viagem enquanto elas ficavam brincando.

Quando nasceu o ginecologista Airton? E a pesquisadora Vivien?
Airton:
Assim que passei na faculdade eu estudava mais. No início da faculdade eu queria fazer ortopedia, pois sempre fui ligado ao esporte, mas no quinto ano da faculdade, alguma coisa mudou dentro de mim, eu via as crianças nascerem, e aquilo me trouxe muita emoção e foi neste momento que eu mudei minha escolha e foi quando eu fiz a cadeira de ginecologia que eu comecei a me apaixonar por aquilo, portanto foi neste momento que minha vida mudou.
Vivien: Com 17 anos eu terminei o colegial, entrei na faculdade de educação artística, e era uma faculdade particular, que meu pai disse que ia pagar. Na época eu estava namorando o meu primeiro marido e ainda não estava grávida e morava com a minha tia. No meio do ano eu descobri que meu pai não estava pagando a faculdade e eu tive que parar o curso. Depois eu fiquei grávida da Priscila, ela nasceu, e eu comecei a entrar em uma depressão muito forte porque eu não estava estudando. E naquela época eu comecei a ter problemas com o meu primeiro marido, já que ele tinha muito ciúmes de mim e não queria que eu fizesse nada. Eu falei pra ele que eu ia me separar, que eu ia para casa da minha mãe, o que de fato aconteceu, mas ele pediu para eu voltar, que ele ia deixar eu fazer a faculdade e que ele ia pagar a faculdade pra mim. Assim eu iniciei a faculdade de psicologia. Eu não tinha condição financeira para pagar a faculdade sozinha, porém, quando o meu 1º marido falou que pagaria a faculdade, ele passou a não me dar o meu salário (eu trabalhava com ele). Eu acho que minha vida era tão triste, tão complicada, que eu procurei uma coisa para me ajudar. Eu terminei a psicologia, conheci o meu atual marido e comecei a refletir no que eu iria fazer, e num grupo de amigos. A esposa de um amigo tinha começado a fazer a fisioterapia e ela começou a falar sobre o curso e fui escutando tudo aquilo e pensando “que profissão bacana!”, “eu vou ajudar as pessoas de verdade nessa profissão”. Uma coisa que me incomodava muito na psicologia era que tudo era muito subjetivo, não era uma coisa concreta, e na fisioterapia você toca na pessoa, você conversa com a pessoa, você vê ali o resultado do seu trabalho, e é tudo mais objetivo. E era o meu sonho trabalhar na área da saúde.

Até hoje você é atuante na área?
Vivien:
Com certeza. No meu terceiro ano de faculdade, o meu segundo marido passou a ter uma condição financeira um pouco melhor e ele falou assim: “Vivien, para de trabalhar como secretária e vai atrás do seu sonho. Começa a fazer os estágios que você não pôde fazer, mesmo que você ganhe pouco, eu ‘aguento as pontas’ aqui em casa”. Foi a mesma coisa que pegar um passarinho em uma gaiola que estava morrendo de vontade de voar e abrir esta gaiola. Eu voei muito. Eu fui fazer TUDO que eu queria, tudo quanto era curso que aparecia na minha frente, tudo quanto era estágio. Sempre um curso atrás do outro, eu trabalhei na AACD, fiz especializações, trabalhei no Home Care da Amil,… Depois eu fui convidada para ir para um laboratório na USP. Chegando lá, depois de dois anos consegui fazer uma pós-graduação e me colocaram no doutorado direto, porque eu acho que eu já tinha tanto curso, tanto curso, que acharam que eu tinha um nível muito avançado para fazer somente o mestrado. Hoje, sou Profa Dra em ciências na faculdade de medicina da USP.

Airton, você acabou este ano a especialização de cirurgia plástica estética, por que você foi para este ramo também?
Airton:
Com o passar do tempo, eu passei a observar uma série de situações que aconteciam com as gestantes: elas engravidavam, e, após o nascimento do bebê, elas ficavam com aumento de peso, flacidez, celulite, gordura localizada e isso dentro de mim despertou um interesse pela área de cirurgia plástica e estética devido à necessidade da mulher de continuar se sentindo bem consigo mesma e, portanto, comecei a me dedicar muito nesta área, além dos estudos da obesidade. Eu me esforcei muito, fiz muitos cursos o que me fez adquirir muito conhecimento nesta área e hoje são estas áreas em que eu atuo.

Os seus pais lhe ofereceram ajuda financeira?
Airton
: Meus pais eram de uma família muito humilde e desde que eu saí de casa, aos 15 anos de idade eu tive que trabalhar e estudar, então, dentro do possível, eles me ajudaram e eu sou extremamente grato a eles, em cada minuto da minha vida, porém eu não tive muito apoio financeiro e fui obrigado a trabalhar, mas eu tinha um ideal e quando você tem determinação, você chega lá.
Vivien: Fui eu que sempre paguei minhas faculdades e meus estudos, com a exceção da faculdade de fisioterapia que meu marido e seu irmão me ajudaram a pagar.

Como e qual foi à sensação que você teve quando entrou na faculdade?
Airton:
No dia do anúncio do resultado da faculdade, ele foi dado em uma praça pública, em alguns auto-falantes perto da faculdade de direito, e quando eles anunciaram o meu nome foi um dos dias mais felizes da minha vida.
Vivien: Foi a melhor sensação que eu já tive em toda a minha vida.

Você enfrentou dificuldades durante a faculdade? Quais? E como as superou?
Airton:
Durante a faculdade, enfrentei dificuldades causadas pela falta de dinheiro. Eu não tinha dinheiro para pagar um lugar bom para morar. Quando saí da minha cidade, Maringá, eu tinha apenas um cobertor fino para um frio tão grande como o do Rio Grande do Sul, então eu enrolava meu corpo no jornal para poder dormir. Eu comia em um local que era denominado de CEU (Casa do Estudante Universitário) onde não lavavam os alimentos, então era comum ver bichos andando nos alimentos. Eu também não tinha dinheiro para comprar os livros, portanto eu acordava mais cedo e me dirigia à faculdade e ia para a biblioteca onde eu os copiava. Depois de um tempo eu era amigo das bibliotecárias que deixavam ficar com os livros dois ou três dias para estudar. Mas eu também tive bons momentos na faculdade. Em uma matéria chamada Semiologia Clínica, ninguém conseguia passar sem ficar de exame e eu não podia ficar, porque eu não teria mais tempo para trabalhar e conseguir um pouco mais de dinheiro para comer. No último dia de aula dessa matéria, o professor entrou na sala e disse: “Eu sou professor desta universidade há vinte anos e eu tenho uma coisa para dizer para vocês e achei que este dia nunca chegaria, mas chegou: nunca nenhum aluno passou direto na minha matéria, mas este ano somente um aluno passou…” e ele citou o meu nome. Devo dizer que foi um momento de muito orgulho e muito marcante; inclusive, ele me chamou depois para ser monitor e acabei sendo no ano seguinte.

Você sofreu muitas dificuldades após o término da faculdade. Você pensou em voltar alguma vez para sua cidade, Maringá?
Airton:
Uma vez, quando eu não conseguia arranjar emprego, eu fui até a rodoviária usar o único dinheiro que eu tinha para voltar para a minha cidade, mas quando o balconista me chamou eu pensei que não tinha chegado até ali para desistir, então voltei para a pensão onde eu estava morando. Ao chegar lá, uma das pessoas para quem eu tinha pedido emprego me chamou e falou: “Airton, consegui um emprego para você. Venha comigo para este hospital”. Quando cheguei ao local, fui entrevistado e me perguntaram quando poderia começar e rapidamente respondi: “Agora! Porém, eu não estou de branco, posso trabalhar assim?” Ele respondeu: “Peça à enfermeira que te empreste um avental”. Minha única dúvida não era em relação a salário, só queria saber se teria a refeição, então perguntei à pessoa que me entrevistou e ela me garantiu que eu teria café da manhã, almoço e jantar. Foi neste momento que minha vida começou a melhorar.

O que significa “vida” do seu ponto de vista?
Airton:
Na realidade é o milagre da vida, é a somatória de todos os nossos atos, conhecimento, relacionamento e acima de tudo um dever e uma gratidão muito grande a Deus. Com ela aprendi que quando temos um objetivo, não importa as dificuldades que temos que superar, jamais podemos desistir.
Vivien: A vida para mim representa realizações no âmbito pessoal e profissional concomitantemente com o desenvolvimento espiritual.

Vivien, a sua filha sempre chamou seu marido de pai?
Vivien:
Ela não o chamou de pai até ele se casar comigo (risos), ela sempre o chamava de Beto. Quando ele dava uma bronca nela ou quando ela fazia alguma coisa errada, ela NUNCA falou “você não é meu pai”. Ela sempre o respeitou como sendo o pai dela.

Muito obrigada pela entrevista e desejamos muito sucesso na vida de vocês!

Fotos:

Airton no IV congresso mundial de medicina estética

Airton no IV congresso mundial de medicina estética

Nova Clínica de cirurgia plástica estética de Airton

Nova Clínica de cirurgia plástica estética de Airton

Airton com sua esposa e filhas.

Airton com sua esposa e filhas.

Apresentação da tese de Vivien na faculdade de

Apresentação da tese de Vivien na faculdade

Priscila com Roberto, 2º marido de Vivien

Priscila com Roberto, 2º marido de Vivien

Vivien, 18, com sua filha Priscila

Vivien, 18, com sua filha Priscila

Autoria da entrevista:
Andressa Schmeling Piccin, nº 04, 8º ano E
Beatriz Rossi Deodato da Silva, nº 05, 8º ano E
Com a colaboração de:
Professora Elizabeth Araújo

Uma cidadã comum… será mesmo???

Cláudia Regina atualmente

Cláudia Regina atualmente

Nascida em 1 de fevereiro de 1963, Cláudia Regina De Sá Dias é segunda filha de um casal de classe média. Durante a infância, teve que enfrentar situações de perda, como a morte de sua irmã. Quando completou 11 anos de idade, Cláudia ficou para sempre marcada; sofreu com a perda de sua irmã mais nova que nasceu com uma doença congênita, hidrocefalia. Seus pais, de classe média, sempre deram muito valor à educação, por isso grande parte de sua renda ia para pagar a escola. Até os 15 anos, estudou em um colégio católico e com essa idade, foi estudar no Colégio Bandeirantes, onde terminou os estudos, sendo sempre da primeira classe. Aos 17 anos, estava muito insegura em relação a qual carreira escolher. Resolveu prestar direito e medicina, e cursou as duas faculdades ao mesmo tempo, dedicando-se em tempo integral. Concluiu as duas faculdades, porém optou por exercer a carreira de médica. Aos 24 anos, se casou e, após 5 anos, teve sua primeira filha. Porém, antes de sua filha completar 2 anos, sofreu com mais uma perda, a de seu pai, aos 60 anos de idade. Quatro anos depois, engravidou de um casal de gêmeos, o que foi uma grande felicidade para a família. Infelizmente, após seus filhos completarem 1 ano de idade, ela e seu marido decidiram se divorciar. Cláudia, então, assumia o papel de mãe e pai, cuidando de seus filhos sozinha. Pouco depois, sua avó que completaria 99 anos e era um grande exemplo para Cláudia, faleceu… Em 2005, Cláudia foi surpreendida com o diagnóstico de câncer em um exame de rotina, um momento muito difícil em sua vida. Submeteu-se ao tratamento cirúrgico, e, hoje, está curada. Cinco anos depois, através de incentivo de amigos, resolveu iniciar a pós-graduação, na área de perícia médica. Hoje, Cláudia é uma mulher feliz, atende em seu consultório e cursa pós-graduação. Mesmo com todas as dificuldades que enfrentou, hoje, é uma mulher bem sucedida em todos os sentidos de sua vida: profissional, social, familiar e financeiro. Entrevistamos essa mulher guerreira, com uma brilhante história de vida, na intenção de mostrar o quão importante é nunca desistir e persistir em seus objetivos, e provar que a sabedoria é nosso bem mais valioso, e o único que nunca nos será tirado. Primeiramente, gostaríamos de agradecer sua disponibilidade em contar um pouco mais sobre sua história cheia de conquistas e superações, afinal você é uma mulher que merece destaque, já que driblou tantos desafios e agora é uma pessoa tão bem sucedida, tanto em relação a sua carreira, quanto em relação a sua vida familiar e social.

Para começarmos, como você caracterizaria sua infância?
Bom, minha infância não deve diferir muito da maioria das garotas de minha idade naquela época, brincando de bonecas, pulando, correndo e especialmente, gostando muito de teatro… A não ser pelo período difícil que tive que enfrentar, o nascimento e em seguida a morte de minha irmã mais nova. Para a minha idade, isso era muito complicado, fiquei triste, revoltada, mas tive que superar.

Com que idade você estava?
O período difícil a que me referi foi dos 7 aos 11 anos, essa era a minha idade quando ocorreu.

Para uma menina tão nova, deve ter sido muito difícil superar essa perda, não é mesmo?
Realmente, acontecem muitas coisas que nos entristecem, procuramos respostas e quando não as encontramos, ficamos revoltados… Quando amadurecemos nem sempre conseguimos, mas sempre tentamos encontrá-las.

Que tipo de respostas uma menina daquela idade buscava?
Procurava respostas que justificassem tanto sofrimento, que para mim era sentido como um castigo, e como Deus poderia castigar alguém que acabara de nascer? Não tinha sentido pra mim…

Que mudanças essa perda causou em você, naquela época e até os dias de hoje?
O vínculo de afeto e amor com minha mãe se fortaleceu mais ainda, pois sempre fomos muito próximas e tentava aliviar seu sofrimento como mãe. Com o tempo, o viver a cada dia fortaleceu minha fé, me fez não buscar tantas respostas e aproveitar cada momento da melhor forma possível.

Onde você estudou?
Bem, naquela época, lembro-me que a escola era escolhida em razão principalmente da localização. Estudei o primeiro grau em uma escola católica perto de casa e depois, cursei o colegial no Colégio Bandeirantes. Na minha família, saúde e educação eram prioridades, e, por isso, mesmo sendo um colégio um tanto caro, meus pais me incentivaram e apoiaram para que cursasse o Colégio Bandeirantes, pois estariam investindo em meu futuro.

Nossa, sabendo que seus pais dedicavam tanto para a sua educação, você não se sentia um tanto pressionada e na obrigação de impressioná-los?
Na verdade não. Não sei se era um ponto totalmente negativo do colégio naquela época, mas a cobrança era muito maior lá dentro, então, eu preferi encarar o Band como um grande desafio.

E não era difícil para você estudar em um colégio tão rigoroso?
No primeiro ano de Band, levei um “choque”. Era bem difícil manter as ótimas notas de meu antigo colégio, mesmo estando na primeira classe, era impossível. Depois, fui me acostumando com o colégio, mas não gostava do fato de as classes não serem mistas e a competição lá dentro às vezes me incomodava. Hoje, vejo que saí preparada para a vida…. o mundo é competitivo.

Já que você falou em Colégio Bandeirantes, que mensagem você deixaria aos atuais alunos de lá?
Eu diria que o Colégio Bandeirantes dá as ferramentas para nós termos êxito na vida, não só profissionalmente, mas na relação com as pessoas. Hoje, tenho muito orgulho de ter estudado no Colégio Bandeirantes, e sei que muito do que já conquistei devo à ótima educação que recebi.

Estudando em um colégio tão bom, creio que seu desejo era entrar em uma boa faculdade. Como foi que você se percebeu médica?
Na verdade, a indecisão pela carreira a escolher me fez optar em prestar direito apenas na USP, e medicina nas faculdades particulares. Estava com muitas dúvidas, então como fui aprovada nos dois cursos, optei por fazer os dois cursos simultaneamente.

Quer dizer então que você se dedicava aos estudos em tempo integral. Não era difícil para você conciliar o estudo com sua vida social?
Na verdade, no início, achei que antes de terminar o primeiro semestre, desistiria de uma delas… Era uma loucura! Mas, quando percebi que na verdade elas se completavam, ou seja, cada uma me atraía de uma forma diferente, resolvi respeitar meus limites, não só estudar, mas levá-las adiante… Concluí as duas faculdades e conheci muitas pessoas, fiz muitos amigos. Além dos cursos serem diferentes, estudar à noite também era diferente, participava de muitas reuniões no centro acadêmico, super empolgada!

Você chegou a se casar? Teve filhos?
Bom, dentre as muitas pessoas que conheci na faculdade de Direito, estava meu namorado, com quem me casei depois de algum tempo. Tive três filhos, uma filha mais velha e um casal de gêmeos, porém me divorciei depois de algum tempo. Creio que meus filhos são as pessoas mais importantes na minha vida, e casar, ter filhos e constituir uma família, sempre foi um sonho meu, uma prioridade na minha vida.

Quer dizer então, que família sempre foi prioridade para você. Como você conciliou sua vida familiar e profissional? Você teve que fazer escolhas difíceis?
Bom, quem é mãe sabe que por nossos filhos abrimos mão de muitas coisas na vida, especialmente em termos profissionais… Com certeza, tive que tomar decisões muito difíceis na minha vida, porém não me arrependo de nenhuma delas, pois para mim, família é a coisa mais importante da vida e vem antes de trabalho ou quaisquer outras oportunidades.

Como você lidou com outras perdas em sua vida? Como, por exemplo, a de seu pai e sua avó, que sempre foram muito próximos de você.
Bem, perdas são difíceis, e o luto por cada uma delas deve ser respeitado. Perder pessoas que amamos nos faz pensar melhor na vida, e na importância de vivermos intensamente. Meu pai sempre teve o desejo de ter um filho ou, pelo menos, um neto homem… Quando morreu, minha filha mais velha completava dois anos, e ele não chegou a conhecer o neto e a irmã gêmea. Via em meu pai uma pessoa forte, capaz de resolver muitas coisas e perdê-lo me deu muita insegurança e medo, mas seguindo os princípios que aprendi com ele, segui minha vida e pensando o quão orgulhoso ele estaria de mim se estivesse aqui. No caso de minha avó, me senti da mesma maneira, pois ela era um exemplo de vida para mim, já que viera da Espanha com 14 anos sozinha e enfrentara diversos desafios no Brasil. Na época em que faleceu, completaria 99 anos em 2 meses… Realmente, foi um momento muito difícil na minha vida, pois, desde pequena fui muito próxima dela e não conseguia me imaginar vivendo sem ela. Para meus filhos também foi uma situação muito difícil, já que estavam com 6 e 10 anos, e também eram muito apegados à bisavó… Além de tentar enfrentar essa perda, também tive que ajudar meus filhos e minha família a superar esse momento, e acredito que o fato de estarmos tão unidos nos ajudou a enfrentar e superar essa difícil perda.

Bom, houve um período em que você teve sua saúde comprometida, não é? Em que época e como você lidou com isso?
Sim, em 2005, fui surpreendida por um câncer, que veio numa hora péssima de minha vida, já que estava cuidando de filhos pequenos… Para toda nossa família foi um baque ouvir esse diagnóstico, pois a palavra “câncer”, por si própria já tem um poder psicológico muito grande. Realmente, foi muito difícil para mim e minha família lidar com isso, principalmente por causa das crianças, e de minha filha mais velha que já entendia muito bem as coisas. Como primeira reação todos ficamos assustados, porém eu sabia que não adiantaria nos lamentarmos, então, por incrível que pareça, eu fui a que agiu mais racionalmente nesse momento, já que não tinha a quem recorrer, pois minha mãe estava muito fragilizada, e tanto ela quanto meus filhos não poderiam me ajudar muito. Foi aí que resolvi enfrentar a doença de frente; não parei de trabalhar durante o tratamento, e depois de cirurgias e remédios, finalmente me via livre da doença… Por todos, eu era considerada uma vencedora, inclusive por meus pacientes, e, realmente, eu era…

Você pretende se casar novamente?
Bom, sim, eu pretendo, porém não nesse momento, em que estou investindo em minha carreira profissional… Para mim, como disse, família é muito importante, e estou satisfeita com a minha, acho que não estou no momento ideal, porém com certeza, logo, pensarei mais nesse assunto…

Bem, como você definiria sua vida hoje, em termos profissional, familiar e pessoal? Você se sente realizada?
Essa é uma pergunta difícil, pois até iniciar recentemente meu curso de pós-graduação, sentia que faltava alguma coisa… Interrompi minha vida acadêmica, depois que me formei, para trabalhar e construir uma família… Isso tem um custo… Em termos familiares, me sinto realizada, e hoje acredito estar mais perto da minha realização profissional.

Em todos os aspectos de sua vida, no meio de tantas perdas, dificuldades, o que mais te marcou e o que você levou como lição de vida?
Bom, minha irmã, pai e avó, cada qual no seu papel, foram pessoas muito importantes na minha vida… Lógico que o fato de perder pessoas tão especiais nos deixa tristes, inseguros. Mas, com o passar do tempo, a gente se vê imitando as qualidades e, às vezes, também, os defeitos deles… Eles continuam presentes na nossa vida, para sempre. Garra, determinação, coragem, amor, sempre estiveram em minha vida, e tento passar isso para meus filhos, além da maior lição que aprendi que o segredo de encontrarmos a felicidade e realização plenas é usar a inteligência com sabedoria. O horizonte pode ser visto por todos, mas, de que altura dependerá de como trilhará seu caminho…

Como você definiria a Cláudia como mãe?
Bem, a maternidade, seguramente foi uma das minhas mais importantes realizações… Dentro de uma vida atribulada e muitas vezes sozinha após minha separação, sem dúvida, existiram muitas falhas minhas, mas sei que meus filhos acreditam que têm o melhor de mim.

Você se julga uma vencedora?
(risos) Creio que vencedora não seja a melhor palavra, pois torna a vida uma “competição”, mas sim vitoriosa frente a muitos obstáculos que, sinceramente, nunca imaginei que enfrentaria… Lembro de situações em que me sentia à beira de um precipício e aprendi a recuar em certos momentos para dar um salto maior…

Você segue alguma religião? Pratica algum ritual religioso?
Bem, sou cristã, Jesus está no nosso coração. Mais importante que praticar rituais religiosos, para mim, é viver cada dia, sentindo, vendo, a presença do criador nas pessoas, na natureza, nas coisas mais simples.

Finalmente, o que você gosta de fazer para descansar? Tem algum “hobbie”?
Se eu pudesse escolher, independente das condições, eu faria aula de dança e teatro pelo menos três vezes por semana e, se possível, caminharia na praia diariamente… A primeira imagem que me vem à mente quando me pedem para imaginar um lugar especial é a praia, o som das ondas do mar, céu azul, a areia de diferentes cores, falésias, golfinhos… Viajar, conhecer novas pessoas e lugares, com certeza esse é meu hobbie preferido!

E o que planeja para a Cláudia daqui pra frente? Algum sonho especial?
Sim, desejo minha realização, como já mencionei, mas sempre, cercada pelos que eu amo e vou amar. Meus filhos, minha família, meu cachorro, e… e conhecer novas pessoas, alguém especial para compartilhar comigo tantos momentos que virão. Imagino família, filhos, netos, natais, etc, etc… No futuro, voltamos a falar, ok?

Bom, muito obrigada, mais uma vez, por essa maravilhosa entrevista, e do fundo do nosso coração, desejamos que você realize todos os seu sonhos e seja muito feliz.

Ana Julia , n.o 03
Larissa Reis, n.o 19
Maria Beatriz, n.o 26
8 ano E